Após quase 10 anos de muitas discussões e ajustes, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entrou finalmente em vigor em 18 de setembro e, como já era de se esperar, mudou as regras do jogo para muitas empresas que atuam de forma direta ou indireta no ambiente digital. Agora, organizações públicas e privadas que solicitam informações aos clientes de sua base – desde as mais básicas, como é o caso de nome e e-mail – devem respeitar o que determina às novas exigências.

Com obrigações bem específicas, muitas mudanças serão necessárias, bem como o desenvolvimento de novas formas de atuar não somente nos meios digitais, mas também em qualquer ação que colete e trate esses dados. Incluirá, então, OTTs, aplicativos de transmissão, podcasts via streaming, rádios e até a própria TV com o T-Commerce, o Live-Commerce e as muitas tecnologias que ajudarão a estruturar a TV 3.0.

Assim, diversos retoques precisarão ser feitos nesses modelos de negócio e o senso precisa ser de urgência. Afinal, inspirada pela legislação europeia, a LGPD regulamenta o tratamento de dados pessoais e representa uma virada de chave de mentalidade tão importante quanto a estabelecida pelo Código de Defesa do Consumidor, em 1990 – seja impelindo a busca por estratégias para ressignificar a interação com o público ou eliminando de uma vez por todas práticas invasivas e que desrespeitavam a privacidade das pessoas.

O dever de casa é gigante

Conhecer os impactos da LGPD é fundamental para saber o que o futuro nos reserva. Isso porque, apesar do estigma de que a nova lei traz apenas implicações negativas para os negócios no Brasil, ela também já é vista por alguns como uma oportunidade a mais para quem souber lidar com as diretrizes recém-aplicadas.

Na Europa, e contrariando o que muitos pensavam, a GDPR (sigla em inglês para Regulamento Geral de Proteção de Dados) já registra avanços em diferentes aspectos. Realizada pela SaleCycle, a pesquisa “GDPR: um ano depois, como as estratégias de marketing foram afetadas” revelou que 85% das empresas entrevistadas com até 50 funcionários responderam ter notado melhorias com a nova lei, trabalhando com uma base de usuários mais engajada que a de costume.

Por aqui, com as regras já valendo, todas as companhias precisam correr para se adequar: elaborar políticas de segurança mais estritas; revisar políticas de privacidade e termos de uso; adotar cláusulas contratuais para tratar essencialmente da proteção de dados pessoais e da forma como eles devem ser tratados; reavaliar e enquadrar o desenvolvimento de softwares e sistemas à legislação; ou até enviando, corrigindo e permitindo que algumas informações de cadastro sejam removidas a pedido dos usuários. Tudo precisa ser revisto!

Neste contexto, equipe jurídica e departamentos técnicos precisarão se unir para garantir que os programas de adequação apresentem efetividade ao serem incorporados à cultura das empresas e, mais do que isso, que eles sejam viáveis no mundo real e prático. De nada adiantará redigir cláusulas e termos de uso que não estejam em sintonia com tecnologias já existentes ou que não considerem aspectos totalmente específicos para o setor.

Regulamentação

Essa novela ainda tem outros capítulos previstos antes de acabar, mas o respeito à LGPD precisa começar agora e é um processo constante, que terá que ser levado em conta em cada serviço ou atividade que colete informações. Já as punições por desobediência serão aplicadas somente a partir de agosto de 2021 – quando o órgão responsável por fiscalizar as regras for plenamente estabelecido. Até lá, espera-se que a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) esteja estruturada.

O impacto da LGPD nos algoritmos

Serão muitas as ideias que partirão de dados para atender efetivamente ao que o público espera. Além disso, com tanto conhecimento em mãos, logo será possível filtrar e organizar em uma mesma base os apaixonados por futebol que se interessam por culinária, quem não perde o jornal e nem o humorístico do fim de semana e muito mais.

Sem falar que, advento da Transformação Digital, os algoritmos que funcionam com machine learning poderão aprender sobre os usuários e, assim, oferecer experiências personalizadas, como já acontece hoje com o feed do Facebook ou as recomendações da Netflix.

Tudo, claro, precisará de ajustes. Afinal, agora, a confecção dos algoritmos deve ser repensada de forma que garanta a privacidade do usuário.

Como fica a venda de dados?

A LGPD existe para resguardar a privacidade do usuário, correto? Logo, todos os dados pertencem aos seus titulares. Ainda assim, a venda ou compartilhamento dessas informações é permitida, desde que seja esclarecido aos titulares e haja consentimento. Termos de Uso e de Privacidade precisarão informar a venda sempre que a empresa usar o que for coletado como forma de monetização.

Em resumo, a LGPD não é e nem deve ser vista como um obstáculo para o futuro dos dados ou do negócios, mas sim como uma prova de que o conhecimento gerado por meio dessa manipulação é importante não apenas para as empresas, mas também para as pessoas, que devem ser priorizadas sempre.

O assunto, claro, estará em debate na SET eXPerience – a versão digital do SET Expo, maior evento do mercado de tecnologia de mídia e entretenimento da América Latina. – até 3 de dezembro de 2020. Não deixe de acompanhar cada uma das fases desse encontro pelas redes sociais ou assinando nossa newsletter!

Por |2020-10-27T16:03:25-03:0009/10/2020|Destaque|0 Comentários
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